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INTELIGÊNCIA SOCIAL

A perspectiva de um mundo sem fome(S)

por Luciana Chinaglia Quintão

Luciana Chinaglia Quintão é bacharela em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e mestra em Administração de Empresas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), COPPEAD. As outras áreas do seu interesse de conhecimento são a psicologia e o desenvolvimento humano, tendo concluído Formação Antroposófica, mais especificamente em Biografia Humana, a Artemísica, centro per-cursor de Estudos Antroposóficos no Brasil.

RESENHA

Embora nascida no Rio de Janeiro, no belo bairro da Gávea e sem jamais ter passado fome, blindada das crises e mazelas da sociedade, isso não impediu-me de obter o dom da observância e da voz incessante em prol da busca pela dignidade humana. Em especial, dentre tudo, o que mais me aflige desde a minha infância tem sido a confluência entre a riqueza de uma nação versus a pobreza exacerbada que acomete nossas famílias. A exemplo, em 1990 tínhamos quase 55 milhões de pessoas que viviam com meio salário mínimo (32% da população, 14 milhões de indigentes, sem renda suficiente para uma alimentação digna, correspondente a 9% da população). Há, sem dúvidas, a percepção acompanhada de uma igual decepção, de que nosso sitema político não cumpre seu papel de efetivamente em aplicar o “bem estar” necessário para as pessoas, bem como a sustentabilidade do planeta, a educação, entre outros mais. Daí minhas considerações quanto à democracia deixando, como eu acredito de ser exercida com a excelência de gestão, fazendo uma administração para poucos e não para muitos como determina seu protocolo.

“A inteligência social, a meu ver, traz à prática, a melhor equação para o centro de todas as questões, colocando como prioridade o engajamento dos indivíduos na criação de uma sociedade mais  inteligente e evoluída”.

Torna-se então, um desafio para essa obra, a ideia de tomar consciência das problemáticas apresentadas com as liberdades e responsabilidades inerentes ao processo, visionando criticamente , a fim de expor o que é bom e o que é ruim, propondo que façamos não só uma reflexão, mas também tomadas de decisões coerentes com o tamanho do problema, e assim assumirmos nosso papel na construção social. Dessa forma, tenho aqui o objetivo de compartilhar minha visão de mundo, ideias e práticas sobre a tese de Inteligência Social - IS, com ênfase na importância de nosso papel na construção ativa para acabar com esse mal das várias fomes (comida, justiça, amor, transporte, moradia e, sobretudo educação). Tais fomes é a privação de algo, como direitos sociais, tão visíveis no Brasil e em outras regiões do Planeta.

“Quando penso em Inteligência Social, penso de uma maneira singular e única, uma teoria que deve ser expandida para a sociedade, para que as camadas que a formam sejam integradas e correlacionadas de maneira indubitavelmente consciente, pois só assim se pode cumprir intuitivamente a criação de um tecido social saudável para todos os integrantes do processo”.

Pois é esta IS, que permite a construção de uma estrutura social justa e equilibrada e, se possível tecnologicamente avançada, assegurando os direitos humanos e civis, dentre os quais a liberdade, que é o valor supremo, pois  “não precisamos de muitos, só um dos outros”.

Para tanto, é importante ressaltar, que quanto mais consciente for o indivíduo das consequências de seus atos, melhor suas escolhas serão. Em suma, a inteligência está ligada a padrões éticos e morais e, sobretudo às nossas escolhas, a exemplo podemos citar o desperdício de água potável no Brasil que alcançou alarmantes 38, 3% em 2016, segundo o Instituto Trata Brasil. O desmatamento de florestas para a pecuária e produção de alimentos que não chegam efetivamente às bocas das pessoas são exemplos de indicadores de descasos, que somados a inúmeros outros podemos facilmente aqui denominar de desinteligentes. Violência humana, desperdício de alimentos, mau uso de recursos públicos, tratamento de lixo, entre outros, somam-se ao que entendo como falta de IS.

Para elencarmos, há no mundo, segundo a ONU, 821 milhões de pessoas que passam fome, ou seja, 1 a cada 9 pessoas, destas 39 milhões só na América Latina e Caribe.

“Pensamentos viram atitudes, que viram hábito, que vira cultura e, por conseguinte muda o padrão de comportamento de uma sociedade inteira...”.

Mas se bem não tem contraindicação, o mal tem de ser retirado pela raiz. Nesse sentido, não existe melhor remédio para tal, que o acesso à uma boa educação, basta para fundamentarmos, citar a Finlândia, que adotou a promoção da inteligência como a maior defesa contra a situação desumana e caótica em que se encontravam. Hoje, o país nórdico tem um dos melhores IDH do mundo, marcado por sua trajetória da passagem da fome à prosperidade mundialmente exemplar.

Se educação é o propósito, muitos hábitos podem ser tomados,  com o intuito de agregar  a cultura ao conceito de IS, a exemplo, os alimentares, também o combate da violência contra a mulher e até os mais simples, como a utilização do cinto de segurança.

Nesse processo, a mídia detém um papel fundamental, podendo colocar-se à serviço de uma educação de valor, sem deturpação de fatos e buscando a conscientização da não violência. Cito em meu livro a famosa propaganda de cigarro do então jogador da seleção Gerson, que embora esportista, além de propagar o cigarro que faz mal à saúde, dizia que “O importante é levar vantagem”, aludindo à cultura do brasileiro que “se dar bem” é fundamental, adicionando a malandragem aos hábitos necessários do povo, principalmente às camadas mais altas da sociedade.

“O que faz toda a diferença é não ser conivente com uma sociedade que se apresenta equivocada, distorcida e da qual não se pode concordar. Sempre é possível cobrar de si mesmo uma atitude. Se for difícil começar sozinho, comece com alguém”.

Fato é que a prática da IS tem como objetivo assumir um papel e não ser indiferente com a realidade que nos cerca, em outras palavras, desde o mendigo na rua até como nosso dinheiro é utilizado pelo governo deve ter nossa atenção, uma vez que não podemos fechar os olhos para alguém que dorme na rua, ou sente fome achando que enquadra-se em uma normalidade.

“Sabemos o que são muitas fomes, muitas carências, no entanto, nesse momento, quero me ater a fome de comida (a mais conhecida de todas as fomes), a qual já falamos anteriormente, constituindo-se um erro muito grande ao não mirar no alvo social. Alimentação é uma necessidade vital”.

Hoje existem milhares de brasileiros que vivem em condições de insegurança alimentar, dessa forma  é correto dizer que comer é um ato político e alimentar é um ato de consciência social de amor.

No Brasil, a situação da fome é alarmante e segundo a OCDE , em 2018 o país ocupava a segunda pior posição no ranking em mobilidade social, dos 30 países pesquisados. Tal pesquisa nos remete à triste conclusão de que seriam necessárias nove gerações para os descendentes de brasileiros entre os 10% mais pobres atingissem o nível médio de rendimento do país, em outras palavras, a classe C. No livro não deixo de mencionar programas inteligentes como o Saúde & Alegria, que em barcos transitam entre o rio Amazonas e seus afluentes levando cuidados médicos à população mais carente. Em suma, acredito na capacidade de reverter os processos desinteligentes, desde que usemos ações concretas e eficazes dentro dos padrões de IS.

Mas não posso deixar de chamar a atenção também para as crises mundiais, uma vez que o novo paradigma civilizatório está relacionado à nova forma de nos colocarmos no mundo, nos âmbitos políticos, sociais e de convivência com o planeta que nos sustenta. A sociedade precisa criar um equilíbrio, além de diminuir tensões. Em poucas palavras “saber fazer as melhores escolhas é, portanto, questão de vida ou morte...”.

Outras questões pertinentes à tese é sem dúvida o consumo, a divisão e redistribuição inteligente das riquezas, uma vez que oito homens apenas possuem a mesma riqueza que 3,6 bilhões de pessoas que compõem a metade mais pobre da humanidade. Nossa inteligência coletiva está, então em declínio. Mas fica uma pergunta com relação à sociedade brasileira: O que fazemos com nossos recursos financeiro, se somos a 9º nação mais rica do planeta? Precisamos então repensar como queremos a nova formação da ociedade contemporânea.

Quanto ao Brasil: afirmo que é “um gigante que cambaleia”, um país multifacetado, desigual e pouco integrado, que ainda não desenvolveu o olhar conjunto para objetivos que deveriam ser comuns à nação. Nossa condução política, administrativa e social ainda gera analfabetos funcionais, pessoas desnutridas e em situação de insegurança alimentar, corrupção em diversos setores, formação de milícias e facções criminosas sem precedentes, agregando ainda moradores de rua, inclusive com crianças , homofobia, prostituição infantil e trabalho escravo, entre outros tantos mais.

Há vários “Brasis”, para simplificar, o Brasil que come e, o Brasil que não come, daí a pergunta é de como tirar o país de onde nos encontramos e colocá-lo onde precisamos chegar?  Entendo que há a necessidade de medicar o país, daí a prática que sugiro da inteligência social.

“No futuro nem será necessário medicarmos, caso pratiquemos a profilaxia, a qual impede que adoeçamos”.

Há fome de “AR PURO, DE SANEAMENTO, EDUCAÇÃO e OPORTUNIDADES, DE SAÚDE, MORADIAS, MOBILIDADE URBANA, PAZ, MEIO AMBIENTE e DE FUTURO, entre outras. São apresentadas como referências significativas para fundamentar essas teorias, somadas ao IBGE, Atlas da violência, FGV e Unesco, entre outras fontes respeitáveis, como exemplo, o estudo da FGV, o qual aponta que em 2015, 942.631 pessoas no Brasil residiam em habitações precárias, enquanto 3.227.232 coabitavam. Índices verdadeiramente alarmantes.

Uma outra problemática, a qual chamo a atenção é a da cultura do desperdício, pois a frequência, a qual desperdiçamos é assustadora e alimenta várias fomes, com perdão da metáfora. Em outras palavras, os alimentos produzidos no mundo seriam suficientes para alimentar milhares de pessoas e extinguir a fome do mundo. Contudo, o desperdício é voraz e impacta todas as necessidades humanas , pois os recursos vão para o “ralo” ao invés de servirem à construção de escolas, moradias, hospitais, saneamento básico e tudo mais necessário para suprir as necessidades humanas básicas.

Um outro aspecto negativo e desinteligente, certamente é a corrupção no Brasil, a qual chamo também a atenção. Considero a corrupção como fruto de “gestão” equivocada, uma desordem social,  assim como o desperdício. Estamos com a pior percepção desde 2012, segundo a Transparência Internacional. Precisamos então reconhecer que estamos doentes, aponto de que não precisamos de brigas inter-partidárias. O diálogo deveria ser a solução, engajando todos em uma só direção.

“Não existe inteligência social sem a prática dos direitos humanos”

O valor do bem é a questão, pois é interessante perceber que o homem muda o meio (social) e o meio muda o homem, em poucas palavras, o homem é o protagonista de sua própria história. A sociedade que se mantém com falsidades e mentiras se deformam. Portanto é sinequanon que entendamos que somos os criadores de nossas realidades pessoais, sociais, econômicas e políticas. Queremos lideranças mais eficientes. Se a utopia pode ser inalcançável, por isso nosso foco tem que ser a construção de modelos e práticas cada vez mais efetivas para o bem comum.

Nesse sentido, a sociedade não pode se abster da participação administrativa de seu próprio país, bem como alunos não podem votar conscientemente aos 16 anos, se não forem preparados para tal. Em suma, todos devem estar preparados para cumprir suas responsabilidades.

“As duas forças que constituem-se nas maiores causas de desestruturação de um país são grandes déficits fiscais e a corrupção, inclusive de valores”.

A política pública não deve atrapalhar a economia, que por sua vez deve ser alinhada à justiça social e atuar alinhada à sociedade.  O  Brasil tem carga tributária despontando entre as 14 mais altas do mundo, no entanto, os recursos são mal geridos e pouco retorna à população, a exemplo, nesse mesmo patamar o índice de retorno do dinheiro empregado coloca o país na 30º posição, atrás de países como Argentina (19º) e Uruguai (11º).

Mas o determinante para que essas questões levantadas tenham um posfácio dignificante e, por conseguinte possam trazer-nos ao estado de Inteligência Social, sem dúvida é a questão da educação, a qual tenho como uma das prioridades para defesa da tese, uma vez que somos todos sementes. Mas, existe um buraco negro na educação fornecida aos jovens brasileiros. Caímos assim, mais uma vez na problemática dos investimentos, contudo, esse, o da educação pode ser o mais grave de todos.

“Zelar para que nossos filhos usufruam o direito de ter um ensino de qualidade, voltado ao cultivo do conhecimento e da autonomia. Não podemos perder sequer uma criança. A maneira como somos cultivados (a que situações estaremos expostos e onde vamos crescer) é que árvores seremos e que frutos vamos deixar para alimentar outras pessoas [...]”.

“Uma criança muda o mundo”.

Também é fato que o germe  da solidariedade está disponível, mas precisa ser incentivado. Para falar no mínimo, o voluntariado deveria ser currículo das escolas, que por sua vez deveriam adotar causas sociais como exemplo e política de resultados para o meio social e, também para o meio ambiente.

Nossa casa é o Planeta Terra e, uma vez inquilinos deveríamos ter a responsabilidade de preservá-lo. Para tanto, surgem as exigências de comprometimento ético das autoridades em sua preservação, partindo do pressuposto de que “uma consciência apenas extrativista não repõe o que foi da Terra tirado, acabando com quaisquer riquezas”. Daí cabe um olhar para as tecnologias à serviço de nossas sociedades, que por vezes são utilizadas para ameaças entre estados, como as potências bélicas, entre outros que nos trazem dor e desequilíbrio global maior do que os comumente conhecidos.

Mas a ciência utilizada com inteligência pode nos trazer benefícios inigualáveis como a produção universal de medicamentos, contudo alguns médicos  desinteligentemente ganham comissões na prescrição de remédios, tal como vendedores de veículos. Certamente um erro irreparável. Entre tantos avanços, conexões e demais avanços erramos ao abandonar o humano, daí, na vida diária precisamos ficar atentos ao quanto a tecnologia nos desconectam de nós mesmos e dos outros. De certo, devemos nos conscientizarmos de que com a ciência nos conhecemos melhor e, com isso podemos construir um mundo melhor, uma vez que o intuito será a utilização da ciência para o bem.

Uma sociedade melhor a partir do indivíduo, com uma ideia direta de cuidar de tudo e de todos, a fim da promoção de um equilíbrio, justiça e dignidade humana,  paralelamente com a evolução social,  requer harmonia e uma boa ordem social. Temos de ser melhores pais, mães, avôs e avós. Ser melhor político, melhor professor, melhor médico, jornalista e tudo o que nos propusermos. Capacidades humanas como empatia e promoção da justiça geram harmonia.

Já perdemos mito tempo. O mundo requer uma outra mentalidade. Em breve teremos 10 bilhões de de pessoas vivendo em um mesmo planeta com recursos escassos. Como viver em paz tendo acesso ao que a sociedade pode ter de melhor de uma forma sustentável? Isso é o que nomeio como Inteligência Social. Em suma, tudo está em nossas mãos.

“A justiça social promove a paz; Inteligência Social é promover a bem-aventurança felicidade; E para que isso aconteça, devemos ser engajados e comprometidos com os valores que nos levam a este lugar”.

por Wagner Guedes