A lição que extraímos diante do sofrimento humano é acreditar sempre que um mundo novo é possível com a superação, união e organização dos "condenados do mundo".

Lutar, resistir e vencer é preciso!

Rumo à Estação Catanduva...

por Aldo Santos

Aldo Santos é professor, filho de Josias Raimundo dos Santos e Maria Bevenuta de Jesus. Cearense de Brejo do Santo migrou com os pais para o interior de São Paulo, vindo posteriormente para São Bernardo do Campo. Trabalhou como bóia fria, auxiliar de protético, atendente e auxiliar de enfermagem. Iniciou sua atuação sindical no Complexo Hospitalar do Mandaqui (Zona Norte da Capital), contribuindo com a formação sindical na área da Saúde, fundando a Associação dos Funcionários e, juntamente com outros sindicalistas, a Associação dos Servidores da Saúde do Estado de São Paulo (ASSES). Participou ativamente das Comunidades Eclesiais de Base no final da década de 70 e início dos anos 80. Em 1985, iniciou sua 

atuação na Educação Estadual, em ABC paulista. é graduado em Filosofia e Estudos Sociais, Bacharel em Teologia, tem especialização em Filosofia da Educação e Sociologia do Mundo do Trabalho e é mestre em História e Cultura. Há mais de 35 anos milita na esquerda brasileira, cuja trajetória é pautada  pela luta, coerência e ousadia na defesa intransigente dos menos favorecidos. Foi vereador por quatro mandatos (1989-2004) em São Bernardo do Campo, pelo Partido dos Trabalhadores. Atua junto à APEOESP - Sindicato dos Professores da Rede Pública do Estado de São Paulo. É presidente da Associação dos Professores de Filosofia e Filósofos do Estado de São Paulo - APROFFESP e da Associação dos Professores de Filosofia e Filósofos do Brasil - APROFFEB. Atualmente, é vice-presidente do PSOL - (Partido Socialismo e Liberdade de São Bernardo do Campo) e também membro da executiva e da Comissão de Direitos Humanos do PSOL-SP. 

Resenha

Todo final de ano eu tento arrumar meus livros empoeirados, momento em que me deparo com antigas anotações registradas ao longo de muitos anos num diário pessoal, ou na agenda de trabalho. Hoje as vejo como um valor inestimável, pois falam do dia em que os filhos nasceram, retratando como nos encontrávamos naquela ocasião, bem como, o contexto político, família e pessoal dos acontecimentos.

No final de 2013, revendo minhas velhas agendas me deparei com vários escritos que para mim á estavam perdidos no tempo. Numa folha de caderno toda rasurada encontrei diversos registros sobre a minha vida, particularmente o acidente que aconteceu comigo e outro colega em 4 de janeiro de 1969, fato este determinante, inclusive, para a definitiva migração de toda família rumo à Grande São Paulo.

Parte dessa descrição foi publicada no livro “É pra lá que eu vou”, de autoria do meu irmão Erivaldo Josias dos Santos, que, minuciosamente, registrou todas as cores e alegrias, assim como as perspectivas e a saga da família Santos, a partir dos pilares nosso pai Josias Raimundo dos Santos e da nossa mãe Maria Bevenuta de Jesus.

Nesse diário, encontrei a seguinte anotação: “no dia 04 de janeiro de 1969, o dia em que fui envenenado, foi um dos dias mais inesquecíveis de minha vida”. Antes de descrever outras datas relacionadas a esse fato, vou voltar um pouco à trajetória de vida da minha família.  

Aldo Santos